história
As Grutas de Alvados, vizinhas das Grutas de Santo António, encontram-se localizadas no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros na freguesia de Alvados, concelho de Porto de Mós e fazem parte do maciço calcário da província da Estremadura, que está integrada num circuito de grande valor histórico e científico localizado na zona centro de Portugal, cujo interesse turístico e paisagístico tem relevo nacional e internacional. Com vista priveligiada sobre o vasto planalto de Alvados, que vai perdendo altura até ao litoral oceânico onde marcam presença praias famosas como Nazaré e S.Pedro de Moel. Nas imediações das grutas podemos observar em perfeita sintonia com uma vegetação característica desta região, as “casinas”, antigos abrigos de pastores ou ainda os muros de pedra solta que proliferam ao longo dos caminhos e na sede do concelho, a cerca de 7 km das Grutas de Alvados, podemos visitar a cidade de Porto de Mós cujo castelo, como refere o escritor Júlio Gil…, “surgido como obra puramente militar suavizou-se, mais tarde, ao ganhar feição de castelo senhorial”…, coisa rara entre nós e que o distingue, pois possui um encanto próprio e uma qualidade estéctica invulgares.
As Grutas de Alvados estão integradas num parque natural no centro do país e num raio de 50 km marcam presença localidades cujo destino turístico é de grande valor histórico e arquitectónico, plenamente justificado pelos belos e altaneiros castelos de Leiria, Óbidos, Porto de Mós, Santarém, Torres Novas, Almourol ou Ourém e para além do mosteiro da Batalha e dos conventos de Alcobaça e Tomar, localiza-se a 25 km o Santuário de Fátima, local de culto religioso cuja dimensão ecuménica é impar no contexto mundial e dispensa qualquer apresentação adicional, dado o seu reconhecimento nacional e internacional. As grutas são constituídas por dois corpos denominados tradicionalmente por “gruta velha” e “gruta nova”…, a “gruta velha” é conhecida há mais de quatrocentos anos, era frequentemente utilizada pelos pastores locais que aí se abrigavam das intempéries. A “gruta nova” foi descoberta casualmente em 1964, por um grupo de trabalhadores das pedreiras que, intrigados com a demora e a ressonância das pedras ao cair numa saliência, munidos de cordas e lanternas desceram até às profundezas e encontraram um mundo maravilhoso até aí desconhecido, espalhando rapidamente a notícia do seu notável achado.
As Grutas de Alvados, uma vez divulgada a sua descoberta, passaram por dificuldades várias nomeadamente resultantes da necessidade de abertura de dispendiosos e longos túneis e da criação de condições de visita ao seu interior em condições de segurança, o que determinou que só muito mais tarde fossem criadas todas estas condições e finalmente fossem abertas ao público e inauguradas com a presença do Presidente da República de Portugal. Centenas de homens trabalharam duramente durante aproximadamente dois anos e meio para concretizar a abertura dos dois túneis interiores de ligação e do túnel de saída, permitindo assim aos visitantes observar o resultado e o trabalho realizado pela natureza, que através da acção físico-química das águas sobre os calcários, origina a enorme variedade de formas características do modelo “cársico”. As grutas são formadas por uma sucessão de salas e pequenos lagos desnivelados, com um acesso natural directo do exterior ao primeiro grupo de três salas elevadas, cujo percurso se vai desenvolvendo em forma de túnel ou corredor natural e que nos vai mostrando vários “algares” monumentais característicos desta zona, alargando-se por vezes de forma inesperada ou desnivelando-se de repente em pequenas ou profundas cavernas.
As Grutas de Alvados multiplicam-se em múltiplas salas e pequenos lagos naturais, onde a perfeita harmonia das “estalactites” e “estalagmites” de formas muito delicadas e contornos rendilhados, é realçada por uma iluminação adequada à preservação da sua beleza natural. Encontram-se também no seu interior, para além da riqueza das suas formações quase esculturais, belas formações “oolíticas” características do subsolo desta região, cujas formações calcárias e pequenos lagos naturais levam a que a sua visita seja obrigatória, para poder admirar o trabalho executado pela natureza ao longo de mais de 50.000 anos. São servidas por um amplo edifício de apoio e a visita inicia-se pela entrada exterior a norte e termina num túnel artificial com cerca de 100 m de comprimento. No entanto é o seu percurso em forma de corredor e os contínuos “algares” de altura invulgar, que leva os especialistas e público em geral a considerar esta gruta como uma das mais características da península ibérica. As grutas têm um comprimento visitável de 450 m, a sua largura máxima entre salas é de cerca de 75 m com uma altura interior que chega aos 95 m e com vários pontos de ventilação natural, que mantém durante todo o ano o interior da gruta numa temperatura amena inalterável.
As Grutas de Alvados tinham inicialmente dois acessos possíveis, só realizáveis através dos estreitos caminhos bordejados pelos muros de pedra sobreposta característicos do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, mas ao longo dos anos, estes acessos não só foram melhorados e alargados, como passaram a ser servidos por duas das principais auto estradas que atravessam o país quer para norte quer para sul, a A1 com com saída em Torres Novas e a A8 com saída em Porto de Mós. As grutas têm uma área visitável difícil de quantificar dada a sua morfologia interna, as suas várias salas atingem diferentes alturas médias, mas nesta gruta são os “algares” que se destacam chegando aos 75 m de altura, permitindo uma ventilação natural que mantém durante todo o ano o interior da gruta a uma temperatura estabilizada e constante entre os 16 e os 18 graus centígrados. As Grutas de Alvados e as Grutas de Santo António formam um dos melhores e mais belos conjuntos de grutas naturais abertas ao público em Portugal, o que por si só justifica programar uma visita a este cenário natural a que já apelidaram de “o reino da pedra”. Visite as Grutas de Santo António, mas não perca as Grutas de Alvados !...